“Cheguei e entrei, achando que estaria finalmente seguro. Até certo ponto, sim, mas não foi possível evitar os efeitos colaterais do que acontecia ao redor: a policia caçava impiedosamente não apenas os manifestantes, mas qualquer um que estivesse nas ruas. É como se, em pleno Estado de direito, o governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral Filho, tivesse decretado uma espécie de toque de recolher. Com direito a balas de borracha, bombas de gás lacrimogênio e até veículos blindados – chamados pelo povo das favelas de “caveirão”. O Circo, que é aberto, protegido apenas por uma frágil cerca (que atualmente é revestida por uma lona com uma programação visual sensacional com todas as datas de shows que aconteceram por lá) foi invadido pelas nuvens de gás que, em contato com os olhos e a boca, provocam severas irritações. Desagradável – o que não deixa de ser, ironicamente, apropriado, já que é esse o nome do DVD que estava sendo lançado pela Gangrena Gasosa.”

O trecho acima, retirado da resenha “A batalha do Circo Voador” de Adelvan Kenobi ilustra bem como foi a noite de 20 de junho de 2013 de todos os bangers que estavam no Circo Voador. Muito esporro, bomba, tiro e gás, mas apesar da tentativa frustrada do “toque de recolher” foi uma noite muito interessante.

Tivemos que interromper o show na canção “Vem Nariz” por causa do gás dentro do Circo Voador. Uma merda né? Realmente fez jus ao nome do nosso lançamento – Desagradável – porém, nada que 15 minutinhos de espera não resolvessem. Fomos abordados por um cara pedindo pra avisar a galera para permanecer dentro do Circo porque lá fora estava um caos, com a polícia dando dura e descendo o cacete em todo mundo do lado de fora. Assim foi. Voltamos para o palco com Zé Pelintra mandando muitos paus nos cus dos responsáveis por aquela situação escrota e dando um aviso muito importante ao público “Os caras tão dando dura em todo mundo lá fora. Quem tiver algum “fragantinho” consome aqui dentro mesmo hein!”

Dava pra sentir o gás até mesmo dentro do camarim. Com olhos vermelhos (por motivos nada divertidos) e ódio renovado, voltamos a tocar. Assim como foi em São Paulo, nosso show contou com participações especiais de ex-integrantes, dessa vez Cid, Magrão, Paulão e Chorão 2 (antigo Chorão 3, que foi promovido após a morte do outro Chorão, do Charlie Brown Jr).

Pra alegria dos que reclamaram da ausência do despacho nos shows do Circo, dessa vez rolou, mas com a condição que a produção impôs: “Só pipoca!”. Justo, já que quando tocamos lá em 2009, Magrão foi nosso roadie e na hora de jogar o despacho se atrapalhou e jogou um alguidar cheio de farinha em cima do equipamento da casa, queimando um retorno e dando um prejuízo considerável à produção. Daí em diante, despacho nunca mais. Então agora ficou explicado o motivo de nunca mais ter rolado despacho no Circo Voador, lamentamos pelo azar de quem ficou lá na frente achando que ia voltar pra casa limpinho. Se bem que depois do gás, a pipoca foi um regalo. Tinha até bacon.

Uma pena que ainda não tenha surgido nenhum registro em vídeo do “Geriatric Mosh” do Cidinho.

Como alguém disse no Facebook, o cenário até que combinava com o clima dos shows. Depois ficamos pra curtir o showzaço do Cannibal Corpse junto com a galera de São Paulo, da Black Vomit Filmes. Outro que veio de longe (Aracaju) foi o próprio Adelvan Kenobi, que escreveu a resenha intitulada “A Batalha do Circo Voador”, de onde foi retirado o trecho lá do começo e que você pode conferir na íntegra aqui.

E quem quiser saber mais sobre o nosso lançamento Desagradável é só ir lá no nosso site.

Saravá!

Comentários

  1. Roberto

    outubro 9, 2015 (18:25) Responder

    Estava lá, foi tenso!
    Vida longa à Gangrena Gasosa, porra!

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